1. Brincando de mendigo por um ingresso

    Passei a madrugada da última terça (27/03) pra quarta (28/03) brincando de mendigo em plena Ressacada em busca de um ingresso para o show do Paul McCartney que vai acontecer aqui em Floripa no dia 25/04. Chegamos lá pertinho da meia-noite e logo nos estabelecemos num lugar próximo à grande bandeira avaiana - na real ficamos exatamente em frente ao portão de acesso ao estádio utilizado pelos funcionários e jogadores do clube.

    Quando chegamos, a fila já estava - na hora - assustadoramente grande, estimamos que haviam cerca de 200 pessoas na nossa frente. A vontade de desistir passou pela nossa cabeça, mas graças à uma professora de artes, cujo nome infelizmente não me recordo - só me lembro que era porto-alegrense e muito simpática, até chimarrão nos ofereceu!, tranquilizou-nos e nos convenceu que o lugar era ótimo e que o ingresso estava garantido! Muito obrigado!

    Com isso feito, hora de armar acampamento. Montamos uma barraca, colocamos as cadeiras no lugar e começou a espera. A longa espera. Ainda bem que pra ajudar a passar o tempo estávamos ao lado dum pessoal bem musicalmente animado - foram 9h seguidas tocando e cantando, e não lembro de repetir nenhuma música. Tocou de tudo, começando com Paul McCartney e passando por Raúl e Dazaranha. Show.

    A hora não passava - parecia até uma aula chata da faculdade. O pior momento foi lá pelas 4 da manhã - o frio castigou. Noite mais fria de março nos últimos 60 ou 70 anos. Não basta ser maluco, tem que se foder. Nessa hora a barraca foi uma verdadeira benção: um abrigo contra o vento e conforto pequeno pra todo aquele frio. Ficamos lá dentro por o que? duas ou três horas? Não sei. Nessa fase eu já estava num estado The Walking Dead: parecia um zumbi, a cabeça pesava e os olhos davam aquela piscada longa. Dormir foi impossível.

    Eu sei que é muito piegas, mas o nascer do sol foi realmente um alívio. Primeiramente por que era talvez o começo do último estágio da empreitada; além disso o calor do sol foi um presente muito bem aproveitado - lagarteei bonito por cerca de 30 minutos.

    Depois disso o tempo passou rápido e a derradeira hora de comprar os ingressos chegou, adiantada em uma hora pela organização do evento. Como resolvi pagar em dinheiro, minha fila andou muito mais rápido que a do cartão, para alívio meu e desespero de outros (oi Alice!).

    Lá perto das 9h da manhã consegui o meu ingresso. Além dele, saí de lá com uma gripe forte e um cansaço absurdo. Valeu a pena? Não sei. Se eu faria novamente? Possivelmente não - pelo menos não da maneira que fomos. Faltou cadeiras, colchões e - principalmente - cobertores.

    Agora é só esperar - são só 27 dias. Hora de escutar todas as músicas e aprender todas as letras. É o maior show de Santa Catarina da história e o segundo show dele que eu acompanho. Mal posso esperar.